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Em que falhou Cristina Ferreira ao vestir Traje de Noiva de Viana?

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Em que falhou Cristina Ferreira ao vestir Traje de Noiva de Viana?

Não para de crescer a onda de indignação que se gerou ontem depois de Cristina Ferreira se apresentar no seu programa da manhã, envergando um Traje de Noiva de Viana do Castelo.

As redes sociais espelharam na hora o descontentamento em relação à forma como a apresentadora usou aquele traje tradicional, mas as críticas passaram também pelas instituições. A Câmara Municipal de Viana do Castelo tornou público o seu desagrado, através da Vereadora da Cultura, Maria José Guerreiro, os grupos folclóricos da região exaltaram-se contra Cristina Ferreira e quem há muitos anos lida com os trajes e ajuda as mulheres de Viana (e não só) a trajar com o rigor que a tradição exige, apanhou um desgosto. Rosa Caetano, 75 anos, 63 dedicados ao folclore, é uma espécie de “consultora” do traje tradicional de Viana do Castelo, e deitou as mãos à cabeça: “Que vergonha. Já viu como ela se apresentou?”.

Esta antiga costureira, que esteve nove anos no grupo folclórico de Santa Marta de Portuzelo e é cantadeira há mais de meio século no grupo das Lavradeiras da Meadela, sabe com rigor todos os segredos e truques do “bem trajar” vianense. E um dos seus grandes orgulhos é ter costurado o saiote que Amália Rodrigues, usou, há 20 anos, quando foi “madrinha” da Romaria d’Agonia e trajou de Mordoma na festa. A Cristina Ferreira aponta várias falhas: “O que estava mal era uma peça que ela tinha ao lado (no peito), que não tem nada a ver com o nosso ouro tradicional. E a parte pior foi o véu. A forma como ela o pôs, não tem nada a ver. Não é nada daquilo que nós usamos em Viana. Não o pomos em cima da cabeça daquela maneira e com uma fita preta”. “Senti desgosto. Foi chocante. Não estava à espera, porque ela é uma apresentadora e tem de estar informada. Se não estava tinha de se informar. Foi uma desilusão. Se ela estivesse bem trajada, seria um orgulho para nós”, disse, referindo: “Se estivesse com ela dizia-lhe que viesse a Viana, ao Museu do Traje, ver o nosso traje. Eu ensinava-a a trajar com todo o gosto e até lhe emprestava um traje”. Ao momento em que a apresentadora surgiu trajada, Rosa aponta ainda outro pormenor menos feliz: “A senhora que lá estava a comentar também disse que as mulheres de Viana usam um ‘babete’ para usar o ouro, mas não, usa-se a cair (no peito)”. E concluiu: “Isto causou uma indignação muito grande nos grupos folclóricos de Viana. Disseram que têm de se reunir e escrever à Cristina Ferreira, para lhe dizer que aquilo foi mau”.

Maria José Guerreiro, Vereadora da Cultura da Câmara de Viana, foi das primeiras a tornar pública a sua insatisfação pelo que classifica de “desrespeito” pelo trajar tradicional vianense. “Em Viana do Castelo, as pessoas reagiram de uma forma bastante violenta. Para todos nós, o nosso traje é uma questão de honra. Todos temos muita chieira (palavra usada pelos vianenses para descrever o misto de vaidade e orgulho que sentem ao envergar as vestes e o ouro tradicionais) nos nossos trajes. E estes merecem respeito”, afirmou, continuando: “Foi complicado para nós perceber que o nosso traje tinha sido utilizado daquela forma. Mal trajado, com as peças não corretamente expostas e mal ourado. Para nós é importante. Há um código implícito entre o traje e o ouro, prezamos isso e temos tido muito trabalho em explicar como se faz”.

O traje vianense é o expoente máximo das festas em honra de Nossa Senhora d’Agonia, que todos os anos em Agosto, leva largos milhares de pessoas a Viana do Castelo. Centenas de mulheres participam vestidas a rigor e, o Desfile da Mordomia, por norma o primeira grande número da romaria, leva sempre cerca de meio milhar de mordomas. A forma como se apresentam é “fiscalizada” para garantir que todas vão trajadas a preceito, como manda a tradição. Não valem unhas pintadas, tatuagens, piercings, maquilhagem, e as peças obrigatórias de cada traje têm de estar devidamente colocadas e conjugadas. No caso do Traje de Noiva, são peça fundamentais o véu, a casaca, a saia, o avental, a algibeira, as meias e as chinelas bordadas. A mulher leva também um ramo de flor de laranjeira e um lenço de amor.

Maria José Guerreiro, comentou: “Sempre que trajamos, seja qual for o traje tradicional do país e todos nos merecem muito respeito, porque estamos a falar de património, devemos fazê-lo com cuidado, com respeito e nas alturas certas. Nunca numa perspetiva de Carnaval”. E concluiu: “O pior, o que mais me deixou perplexa, foi a atitude da pessoa que estava a trajar. Estava como se estivesse na brincadeira, como se aquilo fosse uma brincadeira. O resto são pormenores técnicos”.




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