Quem quer casar com a liderana? :: zerozero.pt

Durou apenas uma jornada a liderança isolada do Benfica. Depois do triunfo no Dragão, os encarnados empataram (2×2) diante do Belenenses SAD e não conseguiram responder ao triunfo do FC Porto no domingo, ficando a dividir o primeiro lugar com os dragões. A equipa de Bruno Lage ainda esteve a vencer por 2×0, mas um erro enorme de Vlachodimos acabou por dar início à recuperação da equipa de Silas, que voltou a aproveitar novo erro defensivo para fazer o empate e não o deixar fugir.

Numa partida interessante e com duas partes bem distintas, o futebol, a espaços, foi de qualidade, mas se alguns jogadores saíram desta partida com uma nota muito positiva – Florentino, principalmente -, outros ficam ligados de forma negativa ao empate – Vlachodimos e Rúben Dias. Afinal, quem quer ficar com a liderança?

Batalha de identidades não teve o ingrediente desejado

No Dragão, o Benfica recuperou a liderança no campeonato, na Croácia houve um percalço que ainda pode ser corrigido em Lisboa e no regresso à Luz a equipa de Bruno Lage procurava voltar a apresentar a qualidade associada à equipa no passado recente, recuperando também a liderança perdida momentaneamente com a vitória azul e branca. Pela frente, um azul diferente do costume, com um novo símbolo, mas com as ideias que têm vindo a ser apresentadas.

Florentino esteve omnipresente Carlos Alberto Costa

Os elogios a Silas, que se vão lendo um pouco por toda a época pelas redes sociais, têm toda uma lógica. A identidade que falta ao clube, que todas as semanas tem novos pontos em discussão, abunda numa equipa construída pelo treinador, do primeiro ao último homem. Este Belenenses SAD tem vindo a superar as expectativas e já mostrou capacidade para se superar a si próprio. Na Luz, Silas não pediu nada de diferente aos seus jogadores. O que fizeram frente ao Feirense, pedia-se agora contra o Benfica. Foi um jogo de identidades e bem agradável à vista do adepto neutro ou simplesmente daqueles que gostam de futebol.

Na Luz, tem sido habitual o Benfica entrar forte e apesar do primeiro remate do jogo ter vindo dos pés de um jogador do Belenenses SAD, os encarnados confirmaram essa tendência, mas com uma dificuldade pouco comum para alvejar a baliza de Muriel, que acabou a primeira parte sem qualquer remate direcionado à sua baliza. A pressão encarnada ia obrigando os azuis a recuar no terreno e foi permitindo alguns lances perigosos, especialmente quando conduzidos por João Félix e Rafa. Jonas, de regresso ao onze mais de dois meses depois, estava preso no mar azul criado pela defensiva do Belenenses SAD.

Mas não se pense que a equipa de Silas veio à Luz montar o autocarro. Quando foi possível, o Belenenses SAD jogou como gosta. Bola no pé, combinações curtas ou bolas longas à procura dos seus avançados, hoje mais recuados por força das circunstâncias. As estatísticas não apontam assim tantos ataques do Belenenses SAD, mas tal não aconteceu apenas por demérito. Florentino foi o escolhido para o lugar de Gabriel e o jovem médio mostrou o porquê de merecer a confiança de Bruno Lage. Forte na recuperação e com boa leitura de jogo, o médio estancou várias iniciativas da equipa de Silas, que ia tendo em Eduardo o seu transportador mais capaz. 

45 minutos muito agradáveis à vista, mas com o ingrediente principal a faltar. A segunda parte viria a satisfazer os mais gulosos.

Carlos Alberto Costa

Erras tu, erro eu

Ao intervalo parecia que Bruno Lage tinha encontrado a receita para ultrapassar a organização belenense, que tombou à primeira. Assim que lhe foi dada uma nesga, Jonas tratou de fazer o que faz melhor e abriu o marcador, num misto de classe com alguma passividade de uma defesa que até então tinha mostrado concentração máxima, mas que viria a sofrer instantes mais tardes, num remate de Samaris que desvia em André Almeida. Parecia resolvida a questão de quem levava os três pontos e as águias podiam respirar um pouco, já a pensar no jogo com o Dinamo Zagreb.

Belenenses SAD gelou a Luz Carlos Alberto Costa

Teoricamente seria assim, mas do céu caiu um golo caricato e de uma raridade extrema. Vlachodimos fiou-se no golpe de vista e a bola de Diogo Viana acabou por entrar na baliza dos encarnados. A partida estava relançada e numa segunda parte em que os ataques (mesmo sem fazerem por isso) estavam a superar-se às defesas, Rúben Dias decidiu entregar uma prenda a Kikas, que não se fez rogado. Num ápice, tudo na mesma e com uma boa dose de golos para acompanhar. Já não havia identidade que resistisse. O Benfica procurava de forma desenfreada voltar à vantagem, o Belenenses SAD passou, a uma certa altura, a procurar (ou a ser obrigado?) guardar o empate.

Os encarnados tentaram tudo, mas o acerto voltou a ser o mesmo da primeira parte. Sem oportunidades flagrantes, a equipa de Bruno Lage acabou por perder dois pontos num jogo que se adivinhava complicado mas que esteve nas mãos dos encarnados. A vitória fugiu e agora a liderança é partilhada, ainda que com vantagem benfiquista no confronto direto. Agora qualquer deslize pode ser fatal.


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