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CDS exige troca de artista na Bienal de Veneza ou demissão da ministra da Cultura

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CDS exige troca de artista na Bienal de Veneza ou demissão da ministra da Cultura

Leonor Antunes abre polémica sobre representação portuguesa em Veneza. Partidos exigem que Graça Fonseca quebre o silêncio

Leonor Antunes (n.1972), a artista portuguesa selecionada para representar o país na 58ª Bienal de Arte de Veneza, abriu a polémica, esta semana, ao afirmar que não aceitaria representar internacionalmente o país se o atual Governo fosse de Direita.

“A situação no mundo bastante é triste, com países que estão a tornar-se regimes fascistas e populistas. Se tivéssemos um regime diferente, de direita, nunca teria aceitado o convite”, afirmou a artista plástica, ao lado da ministra da Cultura, na apresentação do projeto “A seam, a surface, a hinge or a knot” (“Uma costura, uma superfície, uma dobradiça ou um nó”), que apresentará em maio em Itália. “Se estivesse o PSD ou o CDS no governo, não aceitaria. Embora sejam partidos democráticos, defendem valores em que não acredito”, precisou.

O statement da artista indignou os partidos, da Direita à Esquerda, que agora exigem do Governo uma tomada de posição, e que são unânimes nisto: nenhum artista deve confundir uma representação de Estado com a sua ideologia político-partidária.

“O pecado da artista foi não perceber a diferença entre o partido e o país”, critica Nuno Melo. Ao JN, o eurodeputado do CDS insistiu que se impõe uma atitude por parte do Governo: “Retira o apoio a Leonor Antunes, que renega uma grande parte dos portugueses que, com o seus impostos, contribuem para pagar a representação na Bienal [500 mil euros], ou a ministra da Cultura tem de demitir-se.”

Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, não vai tão longe, mas entende que “o silêncio da ministra Graça Fonseca não é aceitável”. E justifica: “A ministra tem falhado sistematicamente e, desta vez, voltou a demonstrar que não tem a mínima sensibilidade para o cargo. O Estado tem um dever de neutralidade que ela tem obrigação de repor, distanciando-se das declarações infelizes e facciosas da artista.”

À Esquerda, Francisco Assis também garante não entender “por que razão a ministra não se distanciou imediatamente daquela declaração absurda”. O eurodeputado do PS, que defende “a separação entre a arte e a política”, entende que a declaração da artista só pode ser lida à luz “de um sectarismo excessivo que se instalou na sociedade portuguesa e que está a contaminar todos os setores, incluindo a Cultura, numa preocupante demonstração da incapacidade para conviver com uma característica fundamental na sociedade, que é o pluralismo.”

Mais contido, João Ferreira, deputado europeu do PCP, afirma apenas que a preferência partidária da artista “não deve determinar a sua seleção nem o seu afastamento da bienal.”

“Politização da cultura é prejudicial à própria cultura”

Contactado pelo JN, o ministério da Cultura recusou pronunciar-se sobre a polémica, escudando-se no facto de Leonor Antunes ter sido “escolhida por concurso e não por convite”. Embora a própria artista se tenha referido à sua participação na Bienal como tendo acontecido por convite, a verdade é que este ano, pela primeira vez, a representação portuguesa na Bienal de Arte foi selecionada através de um concurso promovido pela Direção-Geral das Artes (DGArtes).

Uma comissão constituída por elementos da DGartes e da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) analisou as propostas de nove curadores convidados e, numa fase posterior, foi constituído um júri, cuja escolha final recaiu sobre João Ribas, que acabara de demitir-se da direção artística do Museu de Serralves, no Porto.

Em todo o caso, afirma Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura (SEC) do Governo de Pedro Passos Coelho, “não está em causa a relevância nacional e internacional da obra de Leonor Antunes, nem a forma como foi escolhida, mas sim o que ela disse: encostou partidos dois democráticos a um extremismo de direita. E, ao seguir o parâmetro da limitação, diminuiu a representação de Portugal na Bienal e diminuiu-se a ela própria como artista.”

Barreto Xavier, que chegou a presidir à DGArtes, diz não se recordar de um caso idêntico e salienta que “este é um caminho perigoso para a democracia”.

Outro secretário de Estado da Cultura, José Amaral Lopes, que desempenhou o cargo no Governo de Durão Barroso, corrobora. “Leonor Antunes colou-se no lugar de delegada partidária. É lamentável, porque os políticos passam mas os artistas devem ficar e influenciar a sociedade no sentido da abertura e da tolerância.”

O ex-SEC confessa que o assunto o surpreendeu. “É inacreditável que no século XXI alguém profira uma declaração como se estivesse no PREC (Processo Revolucionário em Curso)”. E lembra o caso do romance de José Saramago “Evangelho segundo Jesus Cristo”, que em 1992 foi banido da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu pelo subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, que então alegou que “o escritor não representa Portugal”.

“A intolerância deste caso é igual à de Sousa Lara”, lamenta Amaral Lopes.

Insuspeita, Simonetta Luz Afonso, que foi comissária na Europália em 1991, durante o Governo de Cavaco Silva, e na Expo 98, durante o Governo de António Guterres, e que desempenhou um papel-chave na gestão cultural, na rede de museus e na presidência do Instituto Camões, sendo talvez a pessoa que em Portugal mais governos atravessou, é taxativa: “Discordo da declaração da artista, foi populista. Podemos ter as nossas posições ideológicas e partidárias, mas o serviço público tem de estar acima disso.”

E acrescenta: “Politizar a cultura é o que mais prejudica a causa da própria cultura.” E dá o seu exemplo: “Nunca ninguém soube se sou de Esquerda ou de Direita. A cultura tem de ser neutra. Quando não é, está tudo errado e ninguém se entende.”




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