António Costa quer fixar jovens para travar perda demográfica

Primeiro-ministro considera que os novos desafios são repovoar o interior do país, os Açores e a Madeira e fixar jovens qualificados com tempo, “salários justos” e apoio para terem mais filhos.

A demografia é o próximo desafio que Portugal terá de “vencer”. Na mensagem de Natal, o primeiro-ministro António Costa leu as duas faces da mesma moeda de perda populacional: os territórios no interior do continente e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que urge repovoar e o imperativo objetivo de fixar jovens qualificados, com dinheiro, tempo e apoio estatal para ter mais filhos no país.

A imigração não chega para dar mais residentes a Portugal, que arrisca perder metade da população ativa nas próximas décadas. “É absolutamente essencial que os jovens sintam que têm em Portugal a oportunidade de se realizarem plenamente do ponto de vista pessoal e profissional e assegurar uma nova dinâmica à natalidade”, sublinha o primeiro-ministro, comprometendo-se a criar “as melhores condições” para o regresso de quem partiu.

O Governo fará a sua parte, diz Costa, com a “nova geração de políticas de habitação, as novas políticas de família com aumento do abono para as crianças, o alargamento da rede de creches, a universalização do pré-escolar ou a diminuição do custo dos transportes públicos”, à boleia do programa de apoio à redução tarifária (que trará o passe único a preços mais baixos), a lançar em abril de 2019.

Virar de página no país

Não basta o esforço do Estado, frisa ainda, deixando um aviso aos empresários. “As empresas também têm de compreender que, na economia global se querem ser competitivas a exportar, têm de ser competitivas a recrutar e a valorizar a carreira dos seus quadros”. E a “geração mais qualificada de sempre” deverá ter “menos precariedade, salário justo, expectativa de carreira” e “possibilidade de conciliação com a vida pessoal e familiar”, sob pena de trocar o país pelo estrangeiro.

A menos de um ano das eleições legislativas e na reta final do mandato, António Costa assegura que Portugal virou a página “dos anos mais difíceis” com a economia a crescer mais do que a média europeia, a criação de mais 341 mil empregos e a diminuição do número de desempregados.

A política de “equilíbrio” é para prosseguir, assim como o caminho de eliminação do défice e de redução da dívida. Ainda assim, promete aumentar as prestações sociais e a “justiça fiscal”, melhorar a vida dos pensionistas e dos trabalhadores na Administração Pública e investir na qualidade dos serviços públicos, em particular no Serviço Nacional de Saúde e nos transportes.




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