Ao 10.º filho, eis que surge uma bebé que dá más noites aos pais

Casal tem seis raparigas e quatro rapazes, entre os 18 anos e os 17 meses. A mais nova nasceu no ano passado.

Apenas seis famílias portuguesas chegaram aos dez filhos, em 2017, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE). A família Fernandes é uma delas. Luísa, a filha mais nova, de 17 meses, veio, por fim, mostrar o que são noites difíceis, comenta o pai, bem disposto, Miguel Monteiro Fernandes, residente em Caxias, Oeiras.

“Foi preciso chegar ao 10.º para ter uma filha que nos dá más noites. Chora e não percebemos porquê. Saiu mais afinadinha. Agora que não tenho idade para estas coisas”, diz o pai, 44 anos, engenheiro mecânico, e chefe de departamento numa unidade fabril.

A aventura destes pais começou em 2000, quando nasceu a primeira filha. Na altura, os planos passavam por ter uma família grande, mas nunca idealizaram esta dimensão. “Foram aparecendo os filhos, mas naturalmente sempre numa base responsável”, sublinha Miguel. “Somos católicos e temos a nossa orientação, e não era bem “venham os filhos que vierem””.

Nasceram, entretanto, seis raparigas e quatro rapazes, intercalados no máximo, por dois anos. Miguel chama a esposa Mariana para explicar a cadência dos nascimentos. A mãe, de 41 anos, engenheira do ambiente que não exerce para poder cuidar da prole, tem boa memória e descreve os sucessivos nascimento por ordem, de 2000 a 2017. Miguel elogia-lhe “a memória viva” e a capacidade de organização.

Quando, à sexta-feira, regressa mais cedo a casa para ajudar nas tarefas, conta que chega ao fim do dia mais exausto do que o habitual. “Não trocava o meu emprego pelo trabalho de casa. Fico estoiradíssimo”.

Manhãs muito agitadas

Como se organiza uma família de 12 pessoas? O dia começa bem cedo para Miguel e Mariana. Acordam pelas 6.30 horas para preparar os mais novos e os seus pequenos-almoços. Os mais velhos ajudam a vestir os pequenos. “Os filhos vão descendo até à cozinha e despacham-se os pequenos-almoços”, conta o pai. Durante as férias, curiosamente, “desorganizamo-nos completamente”.

Pela manhã, o pai sai primeiro, por volta das 7 horas, com a filha mais velha, para a Universidade Nova, na Costa de Caparica. “É a saída mais difícil”, diz o pai, brincalhão, porque é a mais matinal. A partir das 7.40 horas, a mãe transporta os restantes: quatro são deixados na estação, onde apanham o comboio até ao liceu de Oeiras; os outros vão para a escola e a creche perto de casa. A Luisinha fica com a mãe.

Só depois das 21 horas costuma ser possível reuni-los de novo em casa, pois todos praticam desportos: natação, atletismo, râguebi, body board. “Nenhum optou pelo futebol”, para contentamento do Miguel. Os avós, que moram perto, são uma a ajuda preciosa. São eles que assumem os encargos financeiros das atividades. As idas e vindas semanais estão programadas em sistema de partilha, criado para esse efeito através do WhatsApp, com outros pais.

A mãe tem tudo apontado (horários extraordinários, consultas, etc.) no telemóvel, que está ligado ao iPad do pai. Os afazeres diários da escola, Mariana controla de cabeça. O Miguel é o mais esquecido. No dia em que falou com o JN, regressou a casa sem os dois rapazes, que frequentam a escola da vizinhança. Uma das filhas perguntou logo pelos manos.

O truque é descomplicar

Para lidar com esta vida preenchida, o mais importante é descomplicar, diz Miguel. Para Mariana, o truque é a paciência. O mal-estar que lhe provoca a desarrumação é que ainda não foi superado, é uma luta constante. Nesta família, todos têm tarefas inscritas numa tabela: pôr a mesa, tirar a louça da máquina. Mariana também odeia atrasos e desabafa que “é um bocadinho acelerada”: “Às vezes, dentro da minha cabeça, acordo aos gritos e deito-me aos berros”.

São muitos mas não são ruidosos: à noite, uns vão brincar para o quarto, outros veem televisão. Tiveram de comprar um segundo aparelho para o pai poder ver o futebol.




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