dez anos para realizar o sonho de uma vida

Neiva Nascimento foi contratada para o Cirque du Soleil uma década depois de ter feito a audição. A mítica companhia regressa a Portugal entre 3 e 13 de janeiro.

“Em 2014, comecei a receber umas chamadas muito estranhas no meu telemóvel, uns números enormes e rejeitava sempre. Uns dias depois, fui ao email e tinha uma mensagem desesperada do Cirque du Soleil a dizer que me queria contactar, com urgência. Respondi logo e passados cinco minutos, tinha uma chamada dos números estranhos a perguntar se estava interessada em fazer uma substituição na digressão do Cirque du Soleil, no Japão”, conta Neiva Nascimento – “Lady Bug” no espetáculo “Ovo”, que chega a Portugal a 3 de janeiro.

O mais inusitado da história nem foi isso. É que tudo aconteceu dez anos depois da audição que fez para entrar na mítica companhia.

Em 2004, quando estava na Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro, Neiva foi aceite para uma audição. “Na época disseram-me que tinham gostado muito e que aguardasse uma personagem com o meu perfil”, lembra, emocionada, ao JN.

Mas, com o passar do tempo, pensou que a sua vez nunca chegaria. Durante essa década, fez a sua vida profissional no circo tradicional, trabalhava como instrutora de acrobacias aéreas e como coreógrafa. Desenvolveu projetos sociais, no Rio, e fazia workshops em escolas de teatro.

Passada a estupefação provocada pela chamada do destino, começaram os meses para preparar passaporte, materiais para estudar e mais um choque: “Quando cheguei a Montreal, no Canadá, o treino foi super intenso e a preocupação com o meu físico, para que estivesse gorda para a personagem. Eu não sabia falar inglês e tinha uma tradutora sempre comigo”, conta.

Já percorreu 16 países. Mas antes de entrar na companhia nunca tinha saído do Brasil sozinha. Por isso relembra que o Japão foi mágico, porque teve a certeza de que “tudo dependia de mim, do meu amor, para que tudo corresse de uma forma maravilhosa”, conta.

Um ano e meio após esse período de substituição, voltaram a contactá-la para uma outra substituição de apenas cinco semanas. Até que, no ano passado, propuseram-lhe ocupar definitivamente o cargo, que aceitou sem hesitar: era um “sonho de vida”.

“O (ovo) estrangeiro”

“Ovo” é uma história que fala sobre a inclusão e “Lady Bug” é adaptável na sua relação com todos os outros insetos. É a menina que todos querem proteger, fazer com que se sinta feliz e queira voar. Quando chega um inseto novo, com um ovo nas costas, todos têm medo. Ela vai em frente e quer saber quem trouxe o ovo gigante. Ele, que é uma mosca, é tratado como o “Estrangeiro”, conta “Lady Bug”.

“O espetáculo tem muitas canções cantadas em português, é muito divertido, colorido, infantil e nós também estamos muito felizes por pisar um solo onde se fala português”, comentou.

O Cirque du Soleil já esteve em Portugal com os espetáculos : “Alegría”, “Saltimbanco”, “Varekai”, “Quidam” e “Delirium”. Entre 3 e 13 de janeiro é a vez de “Ovo”, na Altice Arena, Lisboa.v

Uma história de êxito mundial

O Cirque du Soleil nasceu de um grupo de 20 artistas de rua em 1984 e hoje é a maior companhia de entretenimento artístico de alta qualidade do Mundo. Sediado no Canadá, conta com 4000 funcionários, entre os quais mais de 1300 artistas provenientes de 50 cidades diferentes. A companhia já atuou para 160 milhões de espetadores, de 60 países em todos os continentes.




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