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Kwanza com comportamento misto em relação ao euro e dólar mantém tendência estável

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Kwanza com comportamento misto em relação ao euro e dólar mantém tendência estável

A moeda angolana manteve hoje a tendência de estabilidade que apresenta há dois meses consecutivos, variando ligeiramente em relação à europeia e norte-americana, apreciando-se face ao euro e depreciando-se frente ao dólar, segundo dados oficiais.

Segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), hoje, as taxas de câmbio mantêm-se relativamente estáveis, com a moeda europeia a transacionar-se a 352,884 kwanzas/euro (a 02 deste mês situava-se nos 354,828), enquanto a norte-americana se vende a 310,473 kwanzas/dólar (contra os 310,158 de quarta-feira).

A tendência de estabilidade da moeda angolana face ao euro e ao dólar acontece após um forte período de depreciação do kwanza registado até novembro de 2018, tendo, nos primeiros 11 meses do ano depreciado em torno dos 46%, estabilizando há cerca de dois meses, quando atingiu um pico de 355 kwanzas/euro e 315 kwanzas/dólar.

Desde então, o kwanza tem-se mantido em valores que se situam entre os 350/355 kwanzas/euro e os 308/314 kwanzas/dólar.

Há um ano, o euro valia 185,40 kwanzas, enquanto o dólar se transacionava a 165,92 kwanzas.

Quarta-feira, o BNA indicou que vai disponibilizar este mês 700 milhões de dólares (610 milhões de euros) em moeda estrangeira aos bancos comerciais, mantendo a frequência diária de leilões de preços na venda de divisas.

No primeiro comunicado de 2019, o banco central angolano refere que a venda de divisas se destina a garantir os “plafonds” para cartas de crédito, a liquidação de cartas de crédito e o atendimento às casas de cambio e às operadoras de remessas.

Após cada sessão, o BNA divulgará, no seu portal institucional, o montante disponibilizado, o número de participantes, as taxas de câmbio máxima e mínima admitidas bem como a taxa de câmbio média resultante da sessão.

Acabadas as sessões de venda trissemanais de divisas em leilão aos bancos comerciais, iniciadas a 09 de janeiro de 2018, o BNA está desde 01 de novembro a proceder a operações diárias, tendo, em dezembro colocado no mercado primário 1.450 milhões de dólares (1.260 milhões de euros).

A tendência de estabilidade do kwanza foi explicada a agência Lusa a 02 de dezembro de 2018 pelo administrador do banco central angolano Pedro Castro e Silva, que garantiu, então, que a pressão sobre as divisas em Angola “terminou”, após as medidas que geraram uma maior previsibilidade no mercado cambial e de uma melhor comunicação com os bancos comerciais.

Segundo Castro e Silva, o BNA já consegue atender ao que os bancos comerciais pedem em divisas, o que tem “estabilizado” a moeda.

“Vamos manter este curso de atuação da política cambial até dezembro. Aquilo que tínhamos de fazer no âmbito do Programa de Estabilidade Macroeconómica (PAM), que era uma maior liberalização da taxa de câmbio, já o fizemos. Esta tarefa está cumprida e já não temos mais nenhum ajustamento a fazer”, sublinhou

Castro e Silva disse acreditar que, nos próximos tempos, a tendência será a de Angola entrar numa fase em que a moeda nacional “vai assumir comportamentos como se veem nas outras moedas”, com movimentos de depreciação, quando a procura for maior que a oferta, e de apreciação, quando suceder o contrário.

“As medidas tomadas geraram previsibilidade e uma maior comunicação com os bancos comerciais, o que acabou por gerar um efeito positivo. Os bancos hoje sabem que, se não comprarem segunda-feira, têm mais quatro sessões de leilões do BNA. Esta pressão sobre as nossas divisas terminou e o facto de o BNA estar a atender justamente àquilo que os bancos estão a procurar tem contribuído para que a taxa de câmbio se encontre mais estável”, referiu.

“Desde o início do ano que o banco central assumiu o compromisso de fazer um ajustamento cambial. Esse compromisso incluía a depreciação da moeda nacional, para que refletisse fielmente a relação que existe entre a procura e a oferta. Tivemos maiores depreciações da moeda nacional porque, nessa altura, o desequilíbrio era mais acentuado entre a procura e a oferta”, explicou.




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