Antigo ‘Chef’ da seleção de futebol elogia ″forma de cozinhar açoriana″

O antigo ‘chef’ da seleção de futebol de Portugal, Hélio Loureiro, elogiou hoje, nos Açores, a história e as qualidades da gastronomia e dos produtos locais, “autênticos” e que valorizam o “comer, o ato de partilhar um momento”.

“Damos muito valor à palavra saudade mas temos de valorizar também a palavra comer. O estar na companhia de alguém, num ato que nunca é solitário”, contou à agência Lusa o ‘chef’, que deu no sábado um jantar, no restaurante Botequim Açoriano, na freguesia de Rabo de Peixe, centrado em produtos regionais e na “maneira de cozinhar à açoriana”.

Para Hélio Loureiro, que foi chefe de cozinha do FC Porto durante três anos e teve o mesmo papel na seleção de futebol durante duas décadas, os “grandes pratos açorianos” são pratos de “partilha, de convivência”, dando como exemplo a alcatra, as sopas do Espírito Santo ou o cozido das Furnas.

“Venho aos Açores há imensos anos. Os Açores têm características climáticas que faz com que tenham produtos únicos, a começar por coisas simples, como as couves, as batatas. Tudo isso tem um sabor muito diferente e característico da região devido à sua geologia, à temperatura, aos solos”, sustentou.

Os lacticínios “riquíssimos”, as carnes e o “património único” que é o peixe dos mares da região são também valorizados pelo ‘chef’, que lembra os interessados em seguir pelo ramo da cozinha que é necessário “empenho, estudos e uma dedicação muito grande”, embora Hélio Loureiro não advogue as eventuais mais-valias de “12, 14 ou 16 horas de trabalho por dia”.

“Quando uma profissão é mediatizada, acresce o valor do reconhecimento, as pessoas gostam de ser reconhecidas. Isso faz com que venha gente para a cozinha que acha que vai ser reconhecida logo após 15 dias a cozinhar”, admite, acrescentando ainda que a influência de concursos televisivos faz com que por vezes os comensais “tenham opiniões de coisas que às vezes desconhecem, um pouco como no futebol”.

A cozinha, sinalizou ainda o profissional à agência Lusa, “não pode ser vista como um ato matemático ou químico”.

E concretizou: “Na receita pomos paixão, amor, ódio, tudo aquilo que o momento nos dá. Por isso às vezes os pratos saem bem e outras vezes menos bem”.

Hélio Loureiro tem mais de trinta anos de carreira, tendo-se formado na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto.

Em 2003, foi eleito ‘chef’ do ano pela Academia Gastronómica Portuguesa, e o cozinheiro foi já distinguido pelo Estado Português com o grau de Oficial da Ordem de Mérito, pelo antigo Presidente da República Jorge Sampaio.




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