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Papa inaugura restauro de portugueses na Catedral do Panamá

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Papa inaugura restauro de portugueses na Catedral do Panamá

Cerca de 20 técnicos portugueses trabalharam em vários elementos patrimoniais, como um retábulo-mor com 21 metros de altura.

Iam por cinco meses, mas ficaram 10, e os trabalhos, que passavam pela conservação e restauro do retábulo-mor da Catedral do Panamá, com 21 metros de altura e nove de largura, acabaram por estender-se também ao restauro de duas pinturas sobre tela, duas pias de água benta, um retábulo lateral e um monumento funerário. Descobriram e efetuaram ainda a conservação de uma pintura mural com cerca de 250 anos.

A intervenção dos 20 técnicos da Dalmática, empresa de Lousada, foi inaugurada, este sábado, pelo Papa Francisco, no âmbito das Jornadas Mundiais da Juventude, que reúnem milhares de jovens. “As imagens do Santo Padre no cenário que nós restauramos vão correr mundo. É algo sem medida. Isso enche-nos de orgulho e vai abrir-nos portas”, afirma Marlene Maia, responsável pela comunicação da Dalmática.

Luta pela internacionalização durou anos

A Dalmática nasceu em 2007 pela mão de Rui Barbosa. E a luta pelo primeiro grande trabalho de internacionalização desta empresa especializada em conservação e restauro foi grande. Durou anos. Desde 2011 que começaram a investir naquele mercado da América Latina.

Já conheciam bem o território e a arte sacra que havia para recuperar quando o país decidiu avançar para a requalificação do património, preparando-se para receber as Jornadas Mundiais da Juventude. “A Catedral estava em péssimas condições de conservação e o objetivo da Dalmática era fazer aquele restauro quando fosse avante”, assume Marlene Maia.

A obra total foi conquistada, em concurso internacional, por um consórcio de empresas espanholas. Os lousadenses dedicaram-se então a tentar mostrar que a Dalmática era a melhor para o trabalho na parte do restauro. “Fomos escolhidos pela valia técnica da proposta de conservação pela força dos nossos profissionais”, acredita.

Os primeiros profissionais foram para o Panamá em janeiro de 2018. Iam por cinco meses para realizar uma intervenção no retábulo-mor, com vários problemas identificados. “Cada quase milímetro de madeira teve que ficar acessível”, explica Marlene Maia. A obra foi supervisionada de perto pela presidência da República do Panamá e pelas autoridades religiosas que acabaram por escolher a Dalmática para restaurar outros elementos patrimoniais: um retábulo lateral e um monumento funerário, em mármore, duas pinturas sobre tela e duas pias de água benta em pedra. Durante os trabalhos, a equipa encontrou ainda uma pintura mural, atrás do retábulo-mor, que também foi alvo de trabalhos de conservação.

Com tudo isto, “cresceu em dobro o tempo de permanência e também cresceu em dobro a equipa da Dalmática” no terreno. E graças aos resultados a empresa tem agora “um mercado de portas abertas”, tendo em cima da mesa pedidos de propostas de intervenção não só no Panamá, mas também noutros países daquele continente.

Ao todo 17 profissionais estiveram lá fora e outros três coordenaram o processo em Portugal. A equipa de António Sousa foi a primeira a intervir na estrutura de madeira. “Estive lá quatro meses. Fizemos a substituição de madeiras velhas por novas e o preenchimento de lacunas, já que os bocados podres eram bastantes, e fizemos tratamento para consolidar e desinfestar”, refere. Subir e descer 20 metros de andaimes várias vezes por dia e enfrentar o calor foram as principais dificuldades. “Pegava-se numa t-shirt de manhã e de tarde tínhamos que pegar noutra porque ficava húmida”, conta. “Foi uma boa experiência, enriqueci”, garante, apesar de tudo, António Sousa.

Já Sofia Lobo ficou 10 meses, vindo a Portugal apenas em períodos curtos. O mais difícil foi a distância da filha de oito anos, que era contornada com videochamadas diárias. No trabalho que efetuou a equipa de revestimento, a principal dificuldade foi o levantamento do repinte das colunas principais que “deu dores de cabeça” e obrigou a um trabalho pormenorizado com bisturi. “O retábulo estava muito deteriorado. Tivemos que fazer uma limpeza geral e fixar tudo o que era pintura original”, refere a técnica de conservação e restauro. Ter o altar a que dedicaram tantas horas agora consagrado pelo Papa é “uma sensação muito especial”, assume.




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